|
4:26 AM
28 de julho, 2005
O som das vozes me doem os ouvidos. Não me sinto mais parte disso, de toda essa falsidade, de todo esse sorriso; sinto-me só, como nunca me senti antes... Tenho pena de mim, pena do meu corpo e novamente não vejo mais sentido para as coisas. Tudo perdeu seu valor. Poucas lágrimas enfim saíram de meus olhos, tristes e vazios. Estava a pensar no que me falta, na pessoa que não mais veio visitar-me, na voz que me acalma e que há tempos se calou. Os dias passam lentamente, mas nada muda, por isso escrevo pouco. Não sei se um dia lerão estas linhas ou se elas perderão o sentido, mas é minha vida que escrevo, ao menos o que o meu peito deixa expressar antes do pranto. Serei eu um poeta Romântico? Serei mesmo filho de alguém nascido? A não-realização, a fuga não mais eficaz, todas as (dez)ilusões, e a dor da mísera lucidez em contraste com a idealização de meus sonhos desconexos, a noite revelando os estilhaços, mas a escuridão impedindo-me de juntá-los. Sobram alguns em lugares inacessíveis. ...Sim, a carência e a loucura andam juntas.
Cantarei louvores aos mortos, Ao caos da sociedade, À fé dilacerada, À loucura como fuga, Ao amor como castigo, Aos perversos instintos, À extinção, Aos esgotos da alma, À dissimulação.
À esperança, Ao veneno pros deuses, Às fezes, Preces, Prisões.
Arre de velhos sermões! Falsos revolucionários; Sois vítimas dos próprios canhões!
Deixem-me com meus demônios, Outros decaídos, perdidos, Como estou de mim (agora e para sempre) Longe, muito longe Filho desgarrado.
Rabiscado por Daniel Lordelo
*Esse
layout é uma criação exclusiva de Bruno Maximus*
|